Fisioterapia no Desenvolvimento Neuromotor

Por apiki em Fique atento, Fisioterapia, Notícias Abril de 15 de 2015 - 17:01

FATORES DO ATRASO NO DESENVOLVIMENTO NEUROPISICOMOTOR

Camila Napoleão Gouvêa Albuquerque (9º sem); Dayane Pereira dos Santos (9º sem); Kelvia Karine Nunes Queiroz (6º sem); Maria Lyciane da Silva Oliveira (10º sem); Nelyanne Marinho de Andrade Diogenes (9° sem); Rebeca Cordeiro Bezerra Almeida (9º sem); Tanara Lopes de Souza (7º sem); Thamires Barbosa Ximenes (9º sem); Vânia Elizabeth Magalhães Ferreira (9º sem).

O desenvolvimento neuromotor é um processo de alterações no comportamento motor em relação á idade, que inclui mudanças na postura e no movimento. Essas mudanças são determinadas não apenas pelo sistema nervoso, mas por alterações nos sistemas corporais, musculoesquelético e cardiorrespiratório, além das influências exercidas pelo ambiente(GARCIA et al., 2011).

Portanto, atrasos no desenvolvimento são produzidospela combinação de diversos fatores de risco classificados como genéticos, biológicos, psicológicos e ambientais, envolvendo interações complexas entre eles (GIACHETTA et al., 2010, RODRIGUES; BOLSONI-SILVA, 2011).

Resegue, Puccini e Silva(2007) em um estudo de revisão citam como principais fatores de risco, segundo a frequência e a intensidade das ocorrências, a prematuridade, a asfixia perinatal, a hemorragia peri-intraventricular, a displasia broncopulmonar, os distúrbios bioquímicos e hematológicos, a microcefalia, as malformações congênitas,as infecções congênitas ou neonatais e a restrição do crescimento intrauterino (RCIU).

De acordo com Garciaet al. (2011) entre os fatores ambientais destacam-se a baixa condição socioeconômica e a utilização de drogas pela gestante. Resegue, Puccini e Silva(2007) acrescentam ainda que o uso de drogas é um fator biológico de risco pouco reconhecido no período neonatal.

Além desses fatores, o impacto do ambiente hospitalar no período neonatalpor si só causa preocupação quanto ao desenvolvimento neuropsicomotor. A sobrevida de um recém-nascido (RN) com idade gestacional e peso ao nascer cada vez menores acarreta um período de hospitalização prolongado na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) o que, em geral, submete o RN a umexcesso de manipulação, repouso inadequado, luminosidade e sons intensos, favorecendo o estresse e umaestimulação sensorial inadequada, podendo afetar a morbidade (GIACHETTA et al.,2010)

Nas últimas décadas com o avanço nos conhecimentos científicos acerca do desenvolvimento da criança, foi evidenciada a intensa neuroplasticidade do cérebro humano, que é mais acentuada nos primeiros anos de vida e é suscetível à estimulação. Dessa forma, a evolução das crianças com alterações do desenvolvimento poderia ser otimizada pelo diagnóstico e pela intervenção precoce(RESEGUE; PUCCINI; SILVA, 2007).

Instrumentos como testes, escalas ou inventários, usados para avaliar o desenvolvimento de lactentes, têm sido utilizados em pesquisas aplicadas, clínicas e estabelecimentos educacionais, com relativo poder preditivo, ou para subsidiar a implementação de programas de estimulação precoce, que orientem o planejamento de ações pontuais com crianças e seus cuidadores (RODRIGUES; BOLSONI-SILVA, 2011).

Vieira, Ribeiro e Formiga (2009) relatam que o fisioterapeuta, entre outros profissionais da Saúde, dispõe de inúmeras escalas e protocolos de avaliação psicomotora de lactentes e classificam esses instrumentos em: 1) Exames neurológicos e de neurocomportamento; 2) Instrumentos abrangentes os quais determinam o grau de desenvolvimento de crianças em vários domínios de função; 3) Instrumentos neuromotores que analisam habilidades motoras amplas ou finas.

Castilho-Weinert, Santos e Bueno (2011) apontam para a necessidade de uma intervenção que visa à facilitação da interação entre a motricidade, a afetividade e a mente, isto é, a intervenção fisioterapêutica psicomotora. A abordagem clínica, portanto, está voltada para a globalidade do indivíduo, uma vez que, em sua concepção, a dinâmica aplicada será capaz de desenvolver o aspecto motor no momento da execução da atividade, o aspecto intelectual ao procurar resolver o desafio proposto, e o aspecto afetivo, já que, no decorrer da atividade, o participante experimentará sentimentos diversos.

REFERÊNCIAS

CASTILHO-WEINERT, L V.; SANTOS, E. DA L. DOS. BUENO, M. R. Intervenção Fisioterapêutica Psicomotora em Crianças com Atraso no Desenvolvimento. RevBrasTerap e Saúde, v.1, n.2, p.75-81, 2011.

GARCIA, P. A. et al. Influência de fatores de risco no desenvolvimento neuromotor de lactentes pré-termo no primeiro ano de vida. Revista Movimenta, v.4, n.2, p.83-98, 2011.

GIACHETTA, L. et al. Influência do tempo de hospitalização sobre o desenvolvimento neuromotor de recém-nascidos pré-termo. Fisioterapia e Pesquisa, São Paulo, v.17, n.1, p.24-9, 2010.

RESEGUE, R.; PUCCINI, R. F.; SILVA, E. M. K. Fatores de risco associados a alterações no desenvolvimento da criança. J. Pediatr, v.29, n.2, p.117-128, 2007.

RODRIGUES, O. M. P. R.; BOLSONI-SILVA, A.T. Efeitos da prematuridade sobre o desenvolvimento de lactentes. Rev. Bras. Cresc. eDesenv. Hum, v.21, n.1, p.111-121, 2011.

VIEIRA, M. E. B.; RIBEIRO, F. V.; FORMIGA, C. K. M. R. Principais instrumentos de avaliação do desenvolvimento da criança de zero a dois anos de idade. Revista Movimenta, v.2, n.1, p.23-31, 2009.

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