Aluno do Curso de Direito da Unichristus publica artigo no jornal O Povo

Por ricardo em Notícias dezembro de 3 de 2013 - 18:39

Aluno do Curso de Direito da Unichristus, Lucas Ernesto Gomes Cavalcante, publica artigo no jornal O Povo:

Falsa esperança

O feriado da República não passava de mais um desejado dia de descanso para os brasileiros. Menos para um homem: o ministro Joaquim Barbosa. Ele trabalhava arduamente, junto de seus assessores, para expedir os mandados de prisão dos mensaleiros e limpar a sujeira que recalcitra esta malsinada República.

E o crepúsculo daquele fatídico dia 15 de novembro não poderia ter sido outro, a prisão dos operadores do mais “atrevido esquema de corrupção” que este país já teve notícia. Novamente, no dia 15 de novembro, o povo brasileiro, comemorou, vibrou, festejou, da mesma maneira que há 124 anos, quando da derrubada da Monarquia. As redes sociais ficaram recheadas de comentários sobre justiça, mudança, esperança.

Ledo engano. Assim como a Proclamação da República não passou de levante político militar, o povo é mais uma vez induzido em erro. Desde já, desconfio que seja por meio do Judiciário a mudança da qual este país necessita. A etimologia da palavra “democracia” reputa autor dessa mudança, o povo. Este consagrado na CF/88 pela soberania popular. Enquanto forem eleitos representantes como José Sarney, Fernando Collor e Paulo Maluf, o Judiciário não poderá se cansar de mandar prendê-los. Tais julgamentos se assemelham ao ato de “enxugar gelo”, pois enquanto o ministro Barbosa condena 12, outras centenas de políticos corruptos são eleitos novamente. O problema está na porta de entrada, e não na de saída.

O povo assistiu passivamente ao julgamento do mensalão pelo STF. Reconheço que é mais confortável delegar responsabilidades, do que assumi-las. Contudo, é pertinente questionar o porquê, então, da luta pela democracia. Se era para deixar de lado a política e depositar toda a confiança no Judiciário, a democracia brasileira não possui razão de ser. É em virtude disso que tantas demandas batem à porta de Judiciário, e levam a fortes tensões os poderes.

Este país já deveria ter aprendido que não precisamos de um salvador da pátria, mas de um povo forte, ativo. A mudança depende de um povo que não venda seu voto, que cobre dos seus representantes, que dê a devida atenção que a política merece. Pois, como disse Platão, “o castigo dos bons que não fazem política é serem governados pelos maus”.

Caso isso não ocorra, os réus do mensalão irão cumprir suas penas. Em pouco tempo serão esquecidos pela mídia e, consequentemente, por nós, e a política irá continuar a mesma. Não tenho dúvidas de que esse julgamento por si só não vai ocasionar mudanças paradigmáticas. Não se esqueça de que no dia 15 de novembro comemora-se a República, algo que deve ser zelado pelo povo.

Fonte: http://www.opovo.com.br

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